Não acredito que estou escrevendo um diário.
Mas depois do que vi hoje, o silêncio ficou pesado demais.
E se eu não colocar isso aqui, vai começar a escorrer por outros lugares. Lugares que não posso permitir que quebrem.

Eu estava voltando de mais uma patrulha inútil quando passei pela Galeria Arcanum. Devia estar fechada. Mas não estava.
Um convite preso num cavalete me chamou como se já soubesse meu nome. “Sombras de Outras Vidas”, assinado por uma tal de Nyx Vesper.

Não sei por que entrei. Não faço esse tipo de coisa. Arte nunca me disse nada.
Mas ali…
Tinha algo diferente.

A sala era quente, abafada de silêncios e olhares que fingiam entender as pinturas. Mas uma delas… uma pintura me parou.
Era como olhar direto para dentro do meu próprio sonho.

A floresta. Os símbolos. A mulher com braços erguidos, rodeada por algo que eu ainda não sei nomear.
Eu já tinha visto aquilo. Com meus próprios olhos. Enquanto dormia.

E aí, ela apareceu.
A artista.
Nyx.

E por um segundo um único segundo algo dentro de mim estremeceu.
Como se a reconhecesse.
Como se estivesse olhando para alguém que deixei para trás em outra vida.

Ela perguntou o que achei da obra.
Eu disse a verdade, sem pensar: “Já sonhei com algo assim.”

O jeito que ela me olhou…
Não sei descrever.
Era como se ela tentasse me atravessar com os olhos.
Como se quisesse entrar na minha mente e não conseguisse.

Isso devia me assustar. Mas, estranhamente, me deu vontade de sorrir.

Quando saí da galeria, tudo pareceu mais opaco.
Como se, por alguns minutos, eu tivesse tocado algo verdadeiro.
Algo antigo.

Eu não sei quem ela é.
Mas sei o que senti: reconhecimento.
E isso… isso é mais perigoso do que qualquer criatura que já cacei.

🎵 Música que me perseguiu ao sair: Ruelle – “War of Hearts”
🩸 Palavra do dia: Reverberar.

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