Ao toque da Lua Velada, jurei proteger o selo.
Mas o coração, esse intruso, rasgou o pacto que o sangue me impôs.
Te encontrei entre caçadas e promessas partidas.
Eu, a amaldiçoada; tu, o jurado a destruir tudo o que sou.
No entanto, quando tua lâmina brilhou sob a lua, vi o reflexo do que negamos ser:
dois seres cansados de obedecer ao destino.
Hoje falei com Morwenna, minha irmã de alma e guardiã das artes antigas.
Ela compreendeu o que o mundo chamará de loucura e o que eu chamo de verdade.
Sob a luz da Lua Velada, ela selará o nosso amor.
Um feitiço simples, puro, tecido com o fio da coragem e do sangue.
Assim poderemos viver em paz, meu querido Lucien,
mesmo que o mundo insista em nos caçar.
O beijo que trocamos partiu o céu.
O véu vibrou, e o símbolo da Lua se quebrou metade ficou sobre nós, metade dentro de mim.
Desde então, o céu sangra devagar, e o silêncio das estrelas me acusa.
Se o amor é crime, que me exilem nas estrelas.
Que o vermelho que corre em mim te alcance, mesmo que o tempo o negue.
— Amara
995, sob a Lua Velada
