São cinco da manhã.
A cidade dorme.
Mas meus olhos ainda estão acesos, vermelhos como vinho velho.
Hoje foi noite de caça.
Desde que Calista esteve aqui no loft, eu…
não consegui mais caçar neste espaço.
Ela deixou algo no ar. Algo que me prende. Algo que me impede de sujar o chão com instinto.
Então voltei às ruas. Como nos velhos tempos.
Escolhi uma balada no centro.
Daquelas lotadas, onde o suor e a pulsação humana preenchem o ar como perfume barato.
Não tenho um tipo preferido pra caçar.
Vai do humor.
Da fome.
Da dor.
Homens são mais fáceis.
Um olhar, um toque, uma palavra no ouvido.
Eles caem.
Mas quando quero adrenalina… caço mulheres.
São mais intuitivas.
E o sangue… mais doce. Quase elétrico.
Nunca caço inocentes.
Nem os que olham nos olhos com verdade.
Não sou um monstro.
Sou… o que sou.
